Read around the world / Lea todo el mundo...

MI CASA... SU CASA...

"Toda noite de insônia / Eu penso em te escrever... // Escrever uma carta definitiva / Que não dê alternativa pra quem lê... // Te chamar de carta fora do baralho / Descartar, embaralhar você..."

sábado, 13 de setembro de 2025

Amidala

Hoje pela manhã, lendo os textos que eu quase converti - com muita vergonha e pouco ódio - em rascunhos, uma amiga me disse que eu deveria escrever um livro. Mas quem se interessaria nas histórias de uma adulta que se apaixona como uma adolescente por alguém que age como um? 

E ela também disse, enquanto eu arrancava (à força, e muito a contragosto) essa página da minha vida, que era dolorosa a perda de uma história. Mas uma história não deveria ser escrita por mais de uma pessoa? Se eu senti e vivi tudo isso sozinha, foi só estória. Foi ficção, fantasia. Mas machucou como se fosse real. 

É que se, por um lado, foi reconfortante descobrir que eu ainda sabia sentir amor por alguém; por outro, foi cortante perceber que isso me deixava novamente sujeita às desilusões. E essa me fez voar antes de eu perceber que - durante todo esse tempo - isso tudo era só "cair com estilo".

Se isso é enredo de livro, deve ser algo na qualidade duvidosa do autor medíocre que você gosta e que teve sorte de ter os contatos certos. Irônico, já que você provavelmente leria sem se dar conta de que todo esse amontoado de sentimentos num pedestal era sobre você. 

É que eu te elevei demais e me deixei ser rebaixada no processo. Se, como na mesma conversa com a mesma amiga, nós falamos de como os homens rebaixam as mulheres para se sentirem superiores; agora eu vejo - mais assumidamente - como nós, mulheres, rebaixamos a nós mesmas para que vocês pareçam valer a pena. 

Estamos em 2025, e a mulher heterossexual está no mapa da fome.

Parabéns por não feder e saber que verbos no infinitivo terminam com "r". Foi o suficiente pra eu me apaixonar. Eu não precisei de nenhuma iniciativa, nenhuma demonstração de interesse ou mesmo simpatia. Simplesmente você me tratar como gente bastou.

Em 2015 eu me apaixonei pelo cara que ficava duas horas depois da aula - toda terça-feira à noite - esperando a minha van comigo, só para eu não ficar sozinha numa UFMG deserta e escura. Em 2018, foi pelo cara que enfrentou a pior chuva da vida dele para me encontrar e que largou a festa de aniversário da própria mãe porque eu precisava dele no pior momento da minha vida. Em 2021 eu criei um lar com o cara que me ensinou que homens redefinem as prioridades se quiserem que uma mulher esteja nelas. E agora eu construí um altar prum cara que me responde de vez em quando, nunca me procura, mas me chama pelo apelido genérico do meu nome. 

Eu quase escrevi um livro para alguém que me trata como nota de rodapé. 

E sobre aquela outra amiga, que você - por iniciativa própria - solicitou amizade nas redes sociais e que jamais trocaria o "varão valoroso" dela por um "mini craque", eu a amo de todo o coração. Eu e ela temos diferenças, mas nenhuma delas é relativa a respeito e lealdade. Então o seu interesse por ela - seja romântico ou não - não me afeta, pois ela é realmente interessante e minha prioridade em relação a você. Mas ele me mostrou que eu também sou minha prioridade em relação a você. 

Também como disse a primeira amiga... "ele sabe onde você está". Verdade, mas você não liga né?! E talvez preferisse nem saber. Mas se eu estiver enganada, me procura. Ou só aparece na minha sala... não é como se eu estivesse me escondendo. Do trabalho ou de casa. 

Mas dessa vez o nosso filme não vai ser "a culpa é das estrelas". Senta comigo pra assistir "Star Wars". Porque a padawan aprendeu sua última lição. 

E a Jedi tem algumas coisas a te ensinar.

sexta-feira, 12 de setembro de 2025

Sempre o padawan, nunca o jedi

Se eu prestasse atenção em metade do que você me diz, eu desistiria. Eu não passaria metade do tempo pensando, não perguntaria a um deck de 78 cartas e, certamente, não voltaria a escrever aqui com a frequência que eu escrevia na adolescência ou quando eu tinha a sua idade. 

É que, se eu prestasse atenção na sua idade, eu voltaria atrás no coração acelerado, pediria que as lágrimas vertidas sem que eu me desse conta voltassem aos olhos, e colocaria um pouco de razão nesse excesso jovem de emoções. 

Me lembraria das coisas meio duvidosas que estou aprendendo sobre sua rotina e o que faz nas horas vagas, ao menos tanto quanto eu me lembro que nas outras fotos tem você abraçando a sua vó - ao menos para equilibrar.

Se eu focasse nas dicas que as redes sociais me deram, através de curtidas e comentários, talvez eu não estivesse aqui com urgência para que os nossos mundos coexistissem.

É que a gente gosta das mesmas séries, mas não dos mesmos personagens. E, a despeito de sermos da mesma casa em Hogwarts, eu tenho certeza de que cada um de nós prefere um Dumbledore diferente, e também não aprendemos as mesmas lições. 

Você gosta de Marshall e Lily, enquanto eu entendo porque o Ted correu tanto atrás da Robin. E, quando você disse que "não dá pra se entregar fácil assim", eu já estava entregue. Porque eu até omiti, mas a verdade é que eu sempre me defini como uma mistura emocionada e intensa do Ted com o Michael Scott - de outra série que a gente gosta em comum, mas que você largou pela metade. 

E a gente gosta das mesmas bandas, mas as vivemos em épocas diferentes - o que nos impede de nos encontrarmos num show, porque eu estava muito pronta para te dedicar todo um "relicário" em "n" (bem como, de fato, eu te dediquei "os cegos do castelo"); enquanto você estava bebendo e dando aquele "sorriso maroto" que minha amiga viu nas suas fotos e disse que não dava pra defender. 

E eu defendi, ainda imersa naquela foto das coxas (que só hoje eu percebi a pessoa deitada atrás).

Se eu prestasse atenção nas coisas além de você, eu provavelmente teria encontrado um motivo para nunca mais focar em você em um hospital daquele tamanho. 

Mas quando eu reparei no seu sorriso, eu já estava apaixonada. E, quando eu tive coragem de assumir isso em voz alta, todo mundo já tinha percebido ao redor. E, quando eu notei o tanto que a gente era diferente - e você era diferente da minha impressão sobre você -, eu simplesmente já não ligava. 

Eu já teria roubado uma trompa azul por você.

...

E eu queria dizer que desisto. Mas eu espero. E ensaio um diálogo revelador sob a chuva, dividindo um guarda-chuva amarelo ou outras tantas verdades que são nossas - provavelmente em épocas diferentes da vida. 

Estou pronta para tudo que não sei de você. Para uma mistura entre Marshall e Dwight. Para a imensidão que você for. 

Você é o banquete completo.

quinta-feira, 11 de setembro de 2025

Chama

Esse texto nunca será um rascunho, mas o seu outro texto está ali, guardadinho como um surto coletivo. Ou só coletivo, porque compartilhei com você... e sei que não foi surto nenhum. 

Eu sigo não me arrependendo de absolutamente nada do que eu disse ou senti. E sigo reafirmando que minha alma reconheceu a sua antes das primeiras palavras trocadas. E, desde que você reapareceu, foram muitas né?!

É que agora você me chama por apelido, eu sei algumas coisas novas sobre você - que você compartilhou por livre e espontânea vontade, importante ressaltar -, e eu sorrio como boba depois de cada interação. 

Você gosta do livro que eu mais detesto, e eu sei que assistiria o filme se você quisesse. E faria do "ok" o nosso "para sempre", pagando língua de todas as vezes que eu falei do tanto que isso era cafona, chato e clichê. E ouviria Sam Smith com você sem prestar atenção nas letras... é que até hoje ele só me lembrou de amores que me fizeram chorar.

É que eu acredito em tarô e ele acredita em você. E me fala pra acalmar, diminuir o ritmo. As cartas me dizem coisas que a tecnologia não diria, e me lembram que nem todo fogo é eterno... mas que todos eles queimam.

E agora você não usa só preto, eu vejo sorrisos mais frequentemente e outro dia você acenou quando me viu - e talvez nem tenha percebido o quanto deixou essa mulher expansiva completamente sem reação.

Então eu permaneço. Imóvel, sem saber nem por onde começar. E na espera. De um não, um sim, ou de um mero talvez. Do momento em que o diabo, o hierofante e os enamorados se encontram e fazem sentido.

Porque você faz. Desde que a gente se esbarrou pela primeira vez em dezembro. E como eu espero que faça dezembro que vem. 

Então... para todos os efeitos, eu sigo aquele lema (mas, desta vez, sem trocadilhos)...

"Draco dormiens nunquam titillandus"

sexta-feira, 1 de agosto de 2025

But I just can't be with you like this anymore, Alejandro

Eu passei o dia inteiro num estado de espera. Se você ia me mandar mensagem, se ia propor de a gente se encontrar. Se ia tentar se colocar na minha vida. 

Às 9:24, recebi a mensagem no tom perfeito: "hoje estarei agarrado no serviço e não vou conseguir conversar muito, mas quero confirmar se posso passar na sua casa às 18h porque fiz planos pra nós dois". Só o remetente estava errado. 

Você não me mandou sequer um "bom dia". E eu recolhi meu amor próprio e fiz isso. Recebi um "boa tarde" (e nada mais) duas horas depois e - quando notei -, respondi em dois minutos. E eu, que nem sou fã desse tipo de jogo, percebi que eu devia me odiar aos berros. Deletei, mas fiquei com aquela música na cabeça: 

"Acabei de responder em dez segundos a pessoa que demora uma hora pra me responder / Peguei o carro e atravessei o mundo pra ver a pessoa que eu nem sei se quer me ver"

Percebi que eu tinha escolhido a pessoa errada. Não era nenhum leonino, tão presos em si próprios que não são capazes de reconhecer o óbvio; eu devia ter escolhido a geminiana que ama demais, pra contrapor o estereótipo. 

A música do João Gomes que eu não consigo concordar é "Se for amor" porque - mesmo que seja - eu não vou esperar o seu coração curar (se realmente for esse o problema). Porque no caminho o meu coração é que se parte, é a minha percepção de amor que se deturpa, e o meu respeito por mim mesma que se perde. Eu não posso mais aceitar migalhas, porque eu sou mulher de receber o banquete inteiro. 

E eu sei que você sabe. Porque eu sou de oferecer o banquete inteiro. Você é quem não sabe receber.

Então eu te deletei e não foi fácil... ou eu claramente não estaria escrevendo isso agora, aqui, na esperança de que venha para reler o texto sobre você e descubra que eu resolvi dedicar a mim mesma o carinho, consideração e respeito que esperei - em vão - de você. 

Assim, deixo aqui a mensagem que ensaiei acreditando que ia questionar a mensagem deletada:

"Eu gosto de você, e isso é inegável. Mas eu gosto ainda mais de mim — e sei que mereço estar com alguém que queira estar comigo com presença, não só quando estamos juntos. Eu sinto algo bonito entre nós, mas fora desses momentos parece que, pra você, tanto faz. E isso me machuca. Eu não quero cobrar, nem pedir algo que deveria ser natural. Quero reciprocidade, e paz. Se isso for maior do que você pode ou quer oferecer agora, tudo bem. Mas então talvez seja hora de cada um seguir seu caminho."

Não haverá outra oportunidade pra que ela seja enviada - e só eu e minha amiga sabemos o tanto que eu precisava que você lesse isso em tempo hábil -, porque você nem ligou pro meu modo de espera... e eu sei que você também sabe disso. 

Enfim... acabaram os dias de glória de julho. Agosto tem fama de um mês de maus agouros e pressentimentos. Ou talvez seja mercúrio retrógrado. Só sei que foi mais uma escolha.

Por aqui faz frio; ao menos eu estou enrolada num cobertor. A noite parece vazia; ao menos pra mim que não fui procurar me aquecer nos braços de outra pessoa qualquer. 

Eu deveria ter respondido a mensagem às 09:30, quando eu a vi. Mas é que só faria sentido se fosse você. Se fossemos nós. 

E o bolo que você guardou pra mim foi amargo. 

Foi um não. 

E foi doloroso de ouvir.

 

 

quinta-feira, 31 de julho de 2025

Trinta e dois

Eu provavelmente seria mais inteligente se te mandasse uma simples mensagem privada no whatsapp, daquelas semi-prontas em que a gente basicamente deseja um feliz aniversário cheio de saúde, amor e felicidade.

Mas é que eu acho que até você já entendeu que eu não consigo ser pouco ou ser contida, e que você é mais importante pra mim do que uma frase clichê. Eu não posso te desejar felicidades sem fazer alguma analogia a algum fenômeno da natureza, nem te desejar amor sem me desejar na sua história.

É que você apareceu há muito pouco tempo e já desregulou todos os meus relógios. Já bagunçou meus calendários, e já ganhou uma aba exclusiva sobre você nas minhas conversas com o chat GPT. Já virou uma carta da corte no meu tarô e fez a carta do "diabo" ser bem mais recorrente do que a dos "enamorados". 

Me fez sorrir com uma música do Belo e fazer careta com uma do João Gomes (que sigo ouvindo no repeat, porque sigo gostando... embora discordando). E me fez escrever na noite anterior - devido a minha total incapacidade de virar essa madrugada -, de modo a tentar te enviar isso antes de começarem as felicitações. Eu queria ser a primeira. 

E, em igual intensidade, queria ser a última. 

É que eu tinha certeza de que nosso reencontro viraria uma chave em mim, de leveza e despreocupação. Que as expectativas seriam quebradas e as vozes na minha cabeça seriam silenciadas. E eu estava no caminho certo... eu realmente vivi como se você não fosse voltar. 

Mas você voltou e fez sentido. Sorriu pra mim como se nunca tivesse ido embora e me beijou como se nunca mais fosse. E nossos corpos funcionaram muito bem juntos (coisa que eu não vou aprofundar, porque é muito cruel lembrar disso sozinha).

Naquela noite, eu me senti a única. 

Então achei justo te dedicar algo que o fizesse se sentir único também. Te dedico a chuva que te molhou como o nosso banho, como quem deseja que suas dores sejam lavadas. Te dedico um abraço como quem te aceita e acolhe. Te dedico o calor - que você bem prefere - como quem te aquece de dentro pra fora. E me dedico como quem espera comemorar essa data com você no ano que vem. 

Te desejo a felicidade de quem recebe um áudio da sobrinha dizendo que está com saudades, e o amor de quem mata essa saudade. E a esperança de que também sinta falta de mim em algum momento. 

Te desejo que o novo ciclo seja grandioso. Emocionante. E emocional, porque seria um prazer compartilhar a jornada contigo. De vez em quando, me escolhe. Se for "de vez em sempre", melhor... é que tô me sentindo como quem compete no "Jeb" por um pouco mais de atenção. E porque tô a muitos poucos passos de comprar uma bíblia de "varão valoroso adolescente" pra encontrar o versículo exato que me diga o meu limite. Eu claramente não pareço ter nenhum. 

Enfim... Era mais seguro ficar com uma mensagem privada e semi-pronta. E tudo bem se você fingir que tudo isso foi uma transparência escandalosamente visível, igual o último texto que eu escrevi; ainda sobre os efeitos hormonais do nosso reencontro (de corpos, porque minha alma não se perdeu da sua). Sendo assim...

"Feliz aniversário, leão leonino. Que seu dia seja mais um dia de glória de julho, e que - mesmo que entremos agora em agosto - os próximos dias também sejam especiais. Te desejo saúde pra dançar na chuva comigo, felicidade pra eu aprender sob diferentes perspectivas as nuances do seu sorriso, e amor pra compartilhar."

Me deixa te felicitar de novo no ano que vem. De perto. 

Como quem fez morada. 🕯️ 

domingo, 27 de julho de 2025

Leão

Hoje eu estou pronta para falar sobre e para vocês dois. Falar sobre quem eu chamei de "original" e sobre quem eu me referi - num momento de ego ferido - como "versão da shopee". E, mais do que isso, falar que eu estava enganada.

Ao primeiro leonino - de nascimento e cronologia -, primeiro eu tenho que me desculpar. Tudo que eu senti sempre foi real; talvez tenha sido real até demais. Mas nesse mês de julho, diante da promessa cega de que voltaria, eu te escrevi uma carta para te convencer. Só que, no processo, me convenci de que estava errada. Você fez sua escolha, e arcar com as consequências dela também faz parte do aprendizado. Você fez sua cama e realmente está na hora de se deitar nela. Eu não vou ser quem vai te resgatar agora. 

Ao leão, eu tento me doar. Mais do que um signo, um símbolo ou uma promessa. Mais do que uma idealização. Quero me doar com meus defeitos e imperfeições. Quero a entrega justa e compartilhada. O que eu sinto também é real, não apenas uma nova versão de um velho sentimento. É por você, para você e com você. 

Numa conversa com uma amiga (verbalizada, mas sobre algo que eu já tinha aqui dentro), eu percebi que - pela primeira vez desde aquele dezembro - eu não largaria tudo para voltar atrás. E, diante da carta já rascunhada, eu percebi que não queria mais gastar páginas por um amor que nunca retornou. Percebi que queria me dar a chance de escrever uma nova história. 

E percebi que sigo não te querendo "sete". Eu te quero "treze", como o meu número favorito e com a certeza de que nada no meu desejo vai diminuir mesmo diante de uma margem de erro de três pontos para cima ou para baixo. Eu te quero completamente. E só você. 

Quero o olhar que parece que me lê e o sorriso de quem entendeu tudo. O abraço que se fez lar e que me acolheu vulnerável. O calor e as palavras que agora parecem vir mais facilmente. E, sobretudo, quero a segurança que estou sentindo nesse domingo. 

"Remédio para ansiedade não é calma. É segurança."

E eu estou bem agora. Com outro leonino, mas de outro mês, de outro ano, e de outros sonhos. Esperando pela oportunidade de compartilhamos um ou dois ou todos eles. Estou bem, um dia de cada vez, como quem se faz porto. Como quem escancara as portas do próprio coração e se faz portal. Como quem pede para o outro se perder e se encontrar em mim.

Ao leonino de agosto, eu realmente desejo um feliz aniversário. Que seu último ano dos "-inta" seja formidável. 

Ao leão de julho, eu realmente desejo minha companhia na jornada. E a gente não conta pra ninguém que Harry Potter não é mais o meu único favorito de 31/07. Eu te agradeço pelo retorno... a gente pode pegar o caminho certo agora.

Eu ainda não sei se você voltou pra ficar mas - pelo sim e pelo não - me deixa te dedicar uma música que eu consigo me imaginar ouvindo no seu carro:

"Fica, eu sei que a gente tá se conhecendo ainda 

Mas vai que nesse fica, a gente fica

Vinga e vira amor pra vida"

🦁

segunda-feira, 7 de julho de 2025

O hierofante

Hoje eu me peguei sorrindo ao atravessar a rua e dançando no caminho de volta pra casa. E eu entendi como nunca antes o que foi dito em "O Pequeno Príncipe" com: 

"Se tu vens, por exemplo, às quatro da tarde, desde as três eu começarei a ser feliz."

É que um passarinho verde me contou que o relógio voltou a girar e o nosso reencontro vai acontecer. E, diante dessa certeza, eu posso esperar uma vida inteira. 

Então eu só quero te atualizar, pra você vir sabendo que eu sou uma pessoa bem diferente agora e que estou ansiosa para conhecer cada mudança que o mundo te trouxe.

Meu nome ainda é Mariana, mas eu sou muito mais chamada de "mãe". Você poderá me chamar do que quiser, mas vou me derreter se voltar a me chamar de "dalit" e - nos momentos mais oportunos - escapar um "Charizard". Seu nome também permanece o mesmo, mas eu quero poder enfim te chamar de "meu". Meu amor, meu parceiro, meu melhor amigo, meu confidente. Meu ponto de chegada. Meu último. Meu único.

Vem, que aqui ainda é o seu lugar. Vem, que eu aprendi a gostar de Star Wars, Game of Thrones e Planeta dos Macacos. Vem, que apesar de você preferir os Stark - como basicamente todo mundo - eu vou te chamar de Targaryen. Vem, e ri de mim e comigo. 

Eu te procurei por aí em outras pessoas e recentemente encontrei uma versão até bem próxima. Ele tinha a sua voz (então eu fiz ele falar ao pé do meu ouvido), o seu cheiro (cheiro de gente que parece casa), o seu signo (sem o seu significado), o seu temperamento (sem a sua profundidade), e até o seu nariz peculiar (mas sem a ponta perfeitamente beijavel). Ele parecia você, mas não era. E de longe eu quase me enganei. 

Mas de perto ele não tinha o seu olhar. Não tinha a boca que se encaixava perfeitamente na minha e nem os braços que me acolheram no frio e me fizeram ferver nas madrugadas de calor. Ele não tinha o prazer do seu sexo e eu não tinha o "eu te amo" entalado na garganta.

E eu nunca consegui dormir encaixada em mais ninguém além de você. Meu sono era seu. Meu corpo era seu. Minha alma e confiança também. E você era o meu sonho. 

É que ninguém mais perguntou se poderia me dar um primeiro beijo na livraria depois de eu falar sobre "A Menina que Roubava Livros" e gravou eternamente em mim a passagem mais bonita e sutil dessa história (a do livro e a minha):

"How about a kiss, Saumensch?"

É que ninguém mais me olhou como se também estivesse me lendo e, sinceramente, eu não quis ler mais ninguém também. 

E hoje eu tenho 33 anos; um a mais do que você tinha quando a gente se conheceu. Tenho mais experiência e autoconhecimento. Realizei o sonho que só estive aberta a deixar de lado por você... e eu queria muito que você o conhecesse, porque você realmente é legal perto de crianças. E porque eu já desejei ao menos uma dúzia de vezes que ele fosse seu. Mas eu me fio na fala que ouvi muitas vezes da minha mãe e que acabei adaptando... "Estava na minha história, mas não na sua." 

O que é bem irônico, já que ele provavelmente não existiria se, naquele junho, você não tivesse pedido pra eu seguir a minha vida sem você. Então eu farei um breve contexto cronológico. Em 13/08/86, a minha vida foi sentenciada. Em 05/06/92, eu nasci. O amor nasceu em 22/12/18, e eu morri pela primeira vez em 16/02/19. Você me curou em 03/03/19 e me deixou sozinha no escuro na única data que eu preferi esquecer. Eu renasci em 13/03/23 e me salvei em 08/02/25. Abri a porta em 06/07/25 e estou esperando todas as datas que eu ainda vou me perder e me encontrar. 

Segui minha vida e você seguiu a sua. Bonito, não?! Vou esperar até quando estiver pronto para seguirmos a nossa. Minha história começou antes de mim e eu sei que vai seguir depois. Porque eu sou feita de passados assim como de futuros.

E o nosso presente ainda somos nós. Um par ligado através de uma linha invisível e indissolúvel. Estamos enlaçados, mas somos nós.

Impossíveis de desatar.

De desamar.

E...

"Se tudo passa, talvez você passe por aqui."

 Somos parceiros de um crime perfeito.

terça-feira, 1 de julho de 2025

Treze

Ontem a minha amiga disse uma frase que ficou martelando na minha cabeça: "existem algumas sensações que são impossíveis de você sentir com qualquer pessoa". Ficou na minha cabeça sobretudo porque, depois de sair de um relacionamento de 4 anos ouvindo um "você não é capaz de amar ninguém", e de ter rebatido - quase sem nem pensar - com "eu só não sou capaz de amar você", essa questão de sentir sem escolher me ficou muito óbvia. Eu escolhi estar com alguém por quem eu não sentia muito. E tenho o histórico de querer muito quem não me escolhe de volta.

A sensação que ela encontrou em apenas duas pessoas foi a saudade antes mesmo da despedida. A minha sensação, até então única para também duas pessoas, foi a necessidade de escrever o tempo todo - não para mostrar para ninguém, ou provar algo para alguém, mas para guardar para mim... para quando eu precisasse lembrar (como se em algum momento eu fosse esquecer) da sensação de ter encontrado essa pessoa na minha vida. A necessidade de escrever quando os sentimentos eram intensos / imensos demais para falar para alguém; porque falar é barulhento e assusta, mas escrever é silencioso.

Mas, para quem não conhece a minha relação desde a infância com as palavras, é difícil entender que - para mim - o silêncio é ensurdecedor.

Eu falo porque ninguém adivinha (e ainda bem que não, ou seriam feitas muitas suposições incorretas) e porque eu sempre guio pela ideia de que eu me recuso a me arrepender pelo que o medo me impediu de fazer. Foram anos escondida atrás dele, e hoje eu prefiro os vinte segundos de uma coragem insana. 

Acho que eu só serei imensa para quem for muito limitado, ou muito profunda para os mais rasos. E tenho esperanças de ainda encontrar o espaço que me caiba e a pessoa que me transborde.

Eu não te amo e não preciso de você. Mas eu amei a sensação de poder tocar em qualquer assunto e de me perder na conversa. Suas palavras me abraçaram antes do nosso primeiro abraço "tradicional". E é por isso que volto a te escrever, mesmo sem saber se lerá... preciso te falar o que combinei em não te enviar por mensagem.

É que, quando eu digo que sinto todo um oceano, não digo que o meu sentimento diante de um novo começo seja tão profundo individualmente. É que eu sinto uma soma. Eu sinto, agora, a imensidão de tudo que eu já senti antes... quase como uma promessa (apesar de você achar que elas são mentiras) do tanto que eu tenho pra te oferecer. Do tanto que eu posso doar sem me perder.

Te falei sobre a minha conversa favorita dos inícios: o tal "alinhamento de expectativas". E, naquela primeira conversa - quando me perguntou se eu estava buscando algo sério e eu disse que saberia quando encontrasse -, eu acabei omitindo um detalhe (talvez por um desejo inconsciente de me adequar) relativamente interessante... o de que eu saberia no primeiro dia. Desde então estou tentando te mostrar o que eu posso ofertar, e entender o que eu posso aceitar de volta.

Eu não sei se você já parou pra pensar nisso (não necessariamente comigo), mas acho que sua linguagem é tempo de qualidade - e que qualidade! Nunca foi uma das minhas linguagens principais e, ainda assim, eu saí encantada. Acarinhada. E eu, com minhas palavras de afirmação e toque físico, só não quero cair no erro de nos perder por não compreendemos a linguagem do outro.

Talvez até já tenhamos feito isso. A minha principal não está tanto entre as suas (ou talvez eu tenha errado imensamente em interpreta-lo), e a falta das suas palavras me deixou incrivelmente insegura.

'Tô tentando me regular com as minhas próprias. Buscando segurança no porto que encontrei em mim. Depois de anos falando de desaguar em alguém, percebi que - na tempestade - era muito mais válido fazer de mim meu cais.

Assim, fico aqui. Sem esperar, também conforme o combinado. Só sentada com os pés na água e vendo o movimento sutil do meu oceano. Mas, se quiser voltar, é seguro. 

Até para se afogar.

domingo, 29 de junho de 2025

Sete

Pela primeira vez em algum tempo, escrevo com a certeza de que vou copiar esse link e encaminhar para uma pessoa que certamente preferiria que eu não fizesse isso. Mas é que eu me lembrei de que ainda consigo sentir alguma coisa, e já avisei que escrevo durante uma vida inteira. 

Eu não sei se vamos ficar amigos. 7 é uma nota boa o suficiente para isso? Ou só o bastante para que eu me lembre com o mínimo de carinho?! 7 é uma nota que vai te fazer se lembrar de mim depois? 

Mas eu vou deixar essa decisão pra você, porque sou de cumprir o que digo, e disse à minha amiga que você vai ficar na minha vida o tempo que quiser. 

Escrevo porque tenho ouvido muito Belo ultimamente, depois de anos gostando secretamente de duas músicas e zoado publicamente. Escrevo porque gosto publicamente de uma música agora e porque escrevi sobre todas as pessoas que gravaram uma música dentro de mim - menos do cara que pegou o microfone (naquele mesmo restaurante que a gente foi) só pra cantar e me dedicar a minha música favorita dos Engenheiros do Hawaii... é que meu interesse por ele era 7.

Escrevo porque ficou muito ainda por ser dito depois do podcast que te enviei e você ainda não ouviu; talvez por desinteresse ou só porque você está realmente ocupado se preparando pra viajar esta madrugada. Escrevo pra te dizer, entre 7 e 13 parágrafos, que tudo que eu sinto é oceano muito profundo pra poça rasa que a gente se enfiou. 

É que eu ainda não sei como, sendo uma pessoa que fala tanto, sobrou espaço entre nós pra um silêncio desconfortável. Mas eu sei como o beijo pareceu ser de corpo inteiro. E ainda tô pensando no seu sexo de olhos fechados e tão silencioso - me lembrou, ironicamente, da minha melhor e da minha pior experiência. E, ao contrário de quando eu te vi digitando por meia hora, eu não percebi quando acabou. Hoje foi palpável. 

E você foi necessário nesse momento da minha vida. 

Então, só pra terminar esse texto que eu nem sei se encontrou o destinatário, eu te faço uma última proposta. Vai. Viaja como quem nunca entrou numa discussão sem sentido na véspera. E curta como se não tivesse ninguém esperando na volta. Eu fico aqui realmente sem esperar. Acalmo meu coração e volto a focar no que importa. Não te deleto como já virou costume, nem te bloqueio (porque só faço isso quando não quero visita de fantasmas de natais passados). E então você volta. Pra sua casa e pra sua rotina. E pra minha vida, se você quiser. Até lá eu aprendo a te querer 7 também, que é pra gente se encontrar no mesmo lugar. 

É que eu não sou de desistir.


domingo, 22 de junho de 2025

Belo.

Eu perdi a deixa de aprender a ser blasè. Perdi a oportunidade de aprender como me desligar dos meus próprios sentimentos e de aprender a ser menos. Apesar de ter um bom professor. 

Eu podia ter ativado o modo avião ou mesmo o automático. Podia ter me contentado com o mínimo que hoje eu nem recebo, ou simplesmente aceitado que esse momento da minha vida passou e que as prioridades são outras. Eu podia simplesmente desistir do amor. 

Podia, mas escolhi outro caminho. Por inocência ou só estupidez - ainda alterno a opção em que acredito. Eu ainda confio nas canções que ouvia na adolescência e que a vida me reserva algo maior. E, sinceramente, hoje - mais do que nunca - eu preciso acreditar... ou tudo de que abri mão só me pareceria estupidez. 

Eu não fui embora por uma promessa do passado. Fui embora por uma esperança de futuro. Por me lembrar de que eu já nem escrevia aqui, e porque não fazer isso é sinônimo de nem sentir. Eu amo através de palavras e, mesmo o que amei ao mínimo, escrevi ao máximo. 

E sexta eu cheguei em casa com aquela sensação sufocante de que algo mudou. E eu gostaria de dizer que nem me lembro quando isso aconteceu pela última vez, mas eu conseguiria dizer com precisão a data. E saber como as coisas aconteceram daquela vez foi o motivo para eu ter mandado simplesmente um "estou fu****" num áudio para minhas amigas. 

É motivo para eu escrever aqui sobre como me sinto péssima. E, ao mesmo tempo, sobre como me sinto inteira por saber que ainda sou capaz de sentir. Achei que estava anestesiada.

Hoje eu escrevo pela adolescente que achava que estava errada por sentir demais; doeu muito o vazio de não sentir nada. E eu choro pra sentir a presença do excesso de sentimentos; é tanto que nem me cabe, e extravaza no pouco capaz de corresponder. 

Dói. Mas cura. E não me faz feliz hoje, mas volta a me fazer eu.

E esse texto ficou assim, confuso e feio. Mas Belo é só o nome.