Eu perdi a deixa de aprender a ser blasè. Perdi a oportunidade de aprender como me desligar dos meus próprios sentimentos e de aprender a ser menos. Apesar de ter um bom professor.
Eu podia ter ativado o modo avião ou mesmo o automático. Podia ter me contentado com o mínimo que hoje eu nem recebo, ou simplesmente aceitado que esse momento da minha vida passou e que as prioridades são outras. Eu podia simplesmente desistir do amor.
Podia, mas escolhi outro caminho. Por inocência ou só estupidez - ainda alterno a opção em que acredito. Eu ainda confio nas canções que ouvia na adolescência e que a vida me reserva algo maior. E, sinceramente, hoje - mais do que nunca - eu preciso acreditar... ou tudo de que abri mão só me pareceria estupidez.
Eu não fui embora por uma promessa do passado. Fui embora por uma esperança de futuro. Por me lembrar de que eu já nem escrevia aqui, e porque não fazer isso é sinônimo de nem sentir. Eu amo através de palavras e, mesmo o que amei ao mínimo, escrevi ao máximo.
E sexta eu cheguei em casa com aquela sensação sufocante de que algo mudou. E eu gostaria de dizer que nem me lembro quando isso aconteceu pela última vez, mas eu conseguiria dizer com precisão a data. E saber como as coisas aconteceram daquela vez foi o motivo para eu ter mandado simplesmente um "estou fu****" num áudio para minhas amigas.
É motivo para eu escrever aqui sobre como me sinto péssima. E, ao mesmo tempo, sobre como me sinto inteira por saber que ainda sou capaz de sentir. Achei que estava anestesiada.
Hoje eu escrevo pela adolescente que achava que estava errada por sentir demais; doeu muito o vazio de não sentir nada. E eu choro pra sentir a presença do excesso de sentimentos; é tanto que nem me cabe, e extravaza no pouco capaz de corresponder.
Dói. Mas cura. E não me faz feliz hoje, mas volta a me fazer eu.
E esse texto ficou assim, confuso e feio. Mas Belo é só o nome.

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