Hoje eu me peguei sorrindo ao atravessar a rua e dançando no caminho de volta pra casa. E eu entendi como nunca antes o que foi dito em "O Pequeno Príncipe" com:
"Se tu vens, por exemplo, às quatro da tarde, desde as três eu começarei a ser feliz."
É que um passarinho verde me contou que o relógio voltou a girar e o nosso reencontro vai acontecer. E, diante dessa certeza, eu posso esperar uma vida inteira.
Então eu só quero te atualizar, pra você vir sabendo que eu sou uma pessoa bem diferente agora e que estou ansiosa para conhecer cada mudança que o mundo te trouxe.
Meu nome ainda é Mariana, mas eu sou muito mais chamada de "mãe". Você poderá me chamar do que quiser, mas vou me derreter se voltar a me chamar de "dalit" e - nos momentos mais oportunos - escapar um "Charizard". Seu nome também permanece o mesmo, mas eu quero poder enfim te chamar de "meu". Meu amor, meu parceiro, meu melhor amigo, meu confidente. Meu ponto de chegada. Meu último. Meu único.
Vem, que aqui ainda é o seu lugar. Vem, que eu aprendi a gostar de Star Wars, Game of Thrones e Planeta dos Macacos. Vem, que apesar de você preferir os Stark - como basicamente todo mundo - eu vou te chamar de Targaryen. Vem, e ri de mim e comigo.
Eu te procurei por aí em outras pessoas e recentemente encontrei uma versão até bem próxima. Ele tinha a sua voz (então eu fiz ele falar ao pé do meu ouvido), o seu cheiro (cheiro de gente que parece casa), o seu signo (sem o seu significado), o seu temperamento (sem a sua profundidade), e até o seu nariz peculiar (mas sem a ponta perfeitamente beijavel). Ele parecia você, mas não era. E de longe eu quase me enganei.
Mas de perto ele não tinha o seu olhar. Não tinha a boca que se encaixava perfeitamente na minha e nem os braços que me acolheram no frio e me fizeram ferver nas madrugadas de calor. Ele não tinha o prazer do seu sexo e eu não tinha o "eu te amo" entalado na garganta.
E eu nunca consegui dormir encaixada em mais ninguém além de você. Meu sono era seu. Meu corpo era seu. Minha alma e confiança também. E você era o meu sonho.
É que ninguém mais perguntou se poderia me dar um primeiro beijo na livraria depois de eu falar sobre "A Menina que Roubava Livros" e gravou eternamente em mim a passagem mais bonita e sutil dessa história (a do livro e a minha):
"How about a kiss, Saumensch?"
É que ninguém mais me olhou como se também estivesse me lendo e, sinceramente, eu não quis ler mais ninguém também.
E hoje eu tenho 33 anos; um a mais do que você tinha quando a gente se conheceu. Tenho mais experiência e autoconhecimento. Realizei o sonho que só estive aberta a deixar de lado por você... e eu queria muito que você o conhecesse, porque você realmente é legal perto de crianças. E porque eu já desejei ao menos uma dúzia de vezes que ele fosse seu. Mas eu me fio na fala que ouvi muitas vezes da minha mãe e que acabei adaptando... "Estava na minha história, mas não na sua."
O que é bem irônico, já que ele provavelmente não existiria se, naquele junho, você não tivesse pedido pra eu seguir a minha vida sem você. Então eu farei um breve contexto cronológico. Em 13/08/86, a minha vida foi sentenciada. Em 05/06/92, eu nasci. O amor nasceu em 22/12/18, e eu morri pela primeira vez em 16/02/19. Você me curou em 03/03/19 e me deixou sozinha no escuro na única data que eu preferi esquecer. Eu renasci em 13/03/23 e me salvei em 08/02/25. Abri a porta em 06/07/25 e estou esperando todas as datas que eu ainda vou me perder e me encontrar.
Segui minha vida e você seguiu a sua. Bonito, não?! Vou esperar até quando estiver pronto para seguirmos a nossa. Minha história começou antes de mim e eu sei que vai seguir depois. Porque eu sou feita de passados assim como de futuros.
E o nosso presente ainda somos nós. Um par ligado através de uma linha invisível e indissolúvel. Estamos enlaçados, mas somos nós.
Impossíveis de desatar.
De desamar.
E...
"Se tudo passa, talvez você passe por aqui."
Somos parceiros de um crime perfeito.

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