Ontem a minha amiga disse uma frase que ficou martelando na minha cabeça: "existem algumas sensações que são impossíveis de você sentir com qualquer pessoa". Ficou na minha cabeça sobretudo porque, depois de sair de um relacionamento de 4 anos ouvindo um "você não é capaz de amar ninguém", e de ter rebatido - quase sem nem pensar - com "eu só não sou capaz de amar você", essa questão de sentir sem escolher me ficou muito óbvia. Eu escolhi estar com alguém por quem eu não sentia muito. E tenho o histórico de querer muito quem não me escolhe de volta.
A sensação que ela encontrou em apenas duas pessoas foi a saudade antes mesmo da despedida. A minha sensação, até então única para também duas pessoas, foi a necessidade de escrever o tempo todo - não para mostrar para ninguém, ou provar algo para alguém, mas para guardar para mim... para quando eu precisasse lembrar (como se em algum momento eu fosse esquecer) da sensação de ter encontrado essa pessoa na minha vida. A necessidade de escrever quando os sentimentos eram intensos / imensos demais para falar para alguém; porque falar é barulhento e assusta, mas escrever é silencioso.
Mas, para quem não conhece a minha relação desde a infância com as palavras, é difícil entender que - para mim - o silêncio é ensurdecedor.
Eu falo porque ninguém adivinha (e ainda bem que não, ou seriam feitas muitas suposições incorretas) e porque eu sempre guio pela ideia de que eu me recuso a me arrepender pelo que o medo me impediu de fazer. Foram anos escondida atrás dele, e hoje eu prefiro os vinte segundos de uma coragem insana.
Acho que eu só serei imensa para quem for muito limitado, ou muito profunda para os mais rasos. E tenho esperanças de ainda encontrar o espaço que me caiba e a pessoa que me transborde.
Eu não te amo e não preciso de você. Mas eu amei a sensação de poder tocar em qualquer assunto e de me perder na conversa. Suas palavras me abraçaram antes do nosso primeiro abraço "tradicional". E é por isso que volto a te escrever, mesmo sem saber se lerá... preciso te falar o que combinei em não te enviar por mensagem.
É que, quando eu digo que sinto todo um oceano, não digo que o meu sentimento diante de um novo começo seja tão profundo individualmente. É que eu sinto uma soma. Eu sinto, agora, a imensidão de tudo que eu já senti antes... quase como uma promessa (apesar de você achar que elas são mentiras) do tanto que eu tenho pra te oferecer. Do tanto que eu posso doar sem me perder.
Te falei sobre a minha conversa favorita dos inícios: o tal "alinhamento de expectativas". E, naquela primeira conversa - quando me perguntou se eu estava buscando algo sério e eu disse que saberia quando encontrasse -, eu acabei omitindo um detalhe (talvez por um desejo inconsciente de me adequar) relativamente interessante... o de que eu saberia no primeiro dia. Desde então estou tentando te mostrar o que eu posso ofertar, e entender o que eu posso aceitar de volta.
Eu não sei se você já parou pra pensar nisso (não necessariamente comigo), mas acho que sua linguagem é tempo de qualidade - e que qualidade! Nunca foi uma das minhas linguagens principais e, ainda assim, eu saí encantada. Acarinhada. E eu, com minhas palavras de afirmação e toque físico, só não quero cair no erro de nos perder por não compreendemos a linguagem do outro.
Talvez até já tenhamos feito isso. A minha principal não está tanto entre as suas (ou talvez eu tenha errado imensamente em interpreta-lo), e a falta das suas palavras me deixou incrivelmente insegura.
'Tô tentando me regular com as minhas próprias. Buscando segurança no porto que encontrei em mim. Depois de anos falando de desaguar em alguém, percebi que - na tempestade - era muito mais válido fazer de mim meu cais.
Assim, fico aqui. Sem esperar, também conforme o combinado. Só sentada com os pés na água e vendo o movimento sutil do meu oceano. Mas, se quiser voltar, é seguro.
Até para se afogar.

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