Hoje pela manhã, lendo os textos que eu quase converti - com muita vergonha e pouco ódio - em rascunhos, uma amiga me disse que eu deveria escrever um livro. Mas quem se interessaria nas histórias de uma adulta que se apaixona como uma adolescente por alguém que age como um?
E ela também disse, enquanto eu arrancava (à força, e muito a contragosto) essa página da minha vida, que era dolorosa a perda de uma história. Mas uma história não deveria ser escrita por mais de uma pessoa? Se eu senti e vivi tudo isso sozinha, foi só estória. Foi ficção, fantasia. Mas machucou como se fosse real.
É que se, por um lado, foi reconfortante descobrir que eu ainda sabia sentir amor por alguém; por outro, foi cortante perceber que isso me deixava novamente sujeita às desilusões. E essa me fez voar antes de eu perceber que - durante todo esse tempo - isso tudo era só "cair com estilo".
Se isso é enredo de livro, deve ser algo na qualidade duvidosa do autor medíocre que você gosta e que teve sorte de ter os contatos certos. Irônico, já que você provavelmente leria sem se dar conta de que todo esse amontoado de sentimentos num pedestal era sobre você.
É que eu te elevei demais e me deixei ser rebaixada no processo. Se, como na mesma conversa com a mesma amiga, nós falamos de como os homens rebaixam as mulheres para se sentirem superiores; agora eu vejo - mais assumidamente - como nós, mulheres, rebaixamos a nós mesmas para que vocês pareçam valer a pena.
Estamos em 2025, e a mulher heterossexual está no mapa da fome.
Parabéns por não feder e saber que verbos no infinitivo terminam com "r". Foi o suficiente pra eu me apaixonar. Eu não precisei de nenhuma iniciativa, nenhuma demonstração de interesse ou mesmo simpatia. Simplesmente você me tratar como gente bastou.
Em 2015 eu me apaixonei pelo cara que ficava duas horas depois da aula - toda terça-feira à noite - esperando a minha van comigo, só para eu não ficar sozinha numa UFMG deserta e escura. Em 2018, foi pelo cara que enfrentou a pior chuva da vida dele para me encontrar e que largou a festa de aniversário da própria mãe porque eu precisava dele no pior momento da minha vida. Em 2021 eu criei um lar com o cara que me ensinou que homens redefinem as prioridades se quiserem que uma mulher esteja nelas. E agora eu construí um altar prum cara que me responde de vez em quando, nunca me procura, mas me chama pelo apelido genérico do meu nome.
Eu quase escrevi um livro para alguém que me trata como nota de rodapé.
E sobre aquela outra amiga, que você - por iniciativa própria - solicitou amizade nas redes sociais e que jamais trocaria o "varão valoroso" dela por um "mini craque", eu a amo de todo o coração. Eu e ela temos diferenças, mas nenhuma delas é relativa a respeito e lealdade. Então o seu interesse por ela - seja romântico ou não - não me afeta, pois ela é realmente interessante e minha prioridade em relação a você. Mas ele me mostrou que eu também sou minha prioridade em relação a você.
Também como disse a primeira amiga... "ele sabe onde você está". Verdade, mas você não liga né?! E talvez preferisse nem saber. Mas se eu estiver enganada, me procura. Ou só aparece na minha sala... não é como se eu estivesse me escondendo. Do trabalho ou de casa.
Mas dessa vez o nosso filme não vai ser "a culpa é das estrelas". Senta comigo pra assistir "Star Wars". Porque a padawan aprendeu sua última lição.
E a Jedi tem algumas coisas a te ensinar.

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