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MI CASA... SU CASA...

"Toda noite de insônia / Eu penso em te escrever... // Escrever uma carta definitiva / Que não dê alternativa pra quem lê... // Te chamar de carta fora do baralho / Descartar, embaralhar você..."

sexta-feira, 1 de agosto de 2025

But I just can't be with you like this anymore, Alejandro

Eu passei o dia inteiro num estado de espera. Se você ia me mandar mensagem, se ia propor de a gente se encontrar. Se ia tentar se colocar na minha vida. 

Às 9:24, recebi a mensagem no tom perfeito: "hoje estarei agarrado no serviço e não vou conseguir conversar muito, mas quero confirmar se posso passar na sua casa às 18h porque fiz planos pra nós dois". Só o remetente estava errado. 

Você não me mandou sequer um "bom dia". E eu recolhi meu amor próprio e fiz isso. Recebi um "boa tarde" (e nada mais) duas horas depois e - quando notei -, respondi em dois minutos. E eu, que nem sou fã desse tipo de jogo, percebi que eu devia me odiar aos berros. Deletei, mas fiquei com aquela música na cabeça: 

"Acabei de responder em dez segundos a pessoa que demora uma hora pra me responder / Peguei o carro e atravessei o mundo pra ver a pessoa que eu nem sei se quer me ver"

Percebi que eu tinha escolhido a pessoa errada. Não era nenhum leonino, tão presos em si próprios que não são capazes de reconhecer o óbvio; eu devia ter escolhido a geminiana que ama demais, pra contrapor o estereótipo. 

A música do João Gomes que eu não consigo concordar é "Se for amor" porque - mesmo que seja - eu não vou esperar o seu coração curar (se realmente for esse o problema). Porque no caminho o meu coração é que se parte, é a minha percepção de amor que se deturpa, e o meu respeito por mim mesma que se perde. Eu não posso mais aceitar migalhas, porque eu sou mulher de receber o banquete inteiro. 

E eu sei que você sabe. Porque eu sou de oferecer o banquete inteiro. Você é quem não sabe receber.

Então eu te deletei e não foi fácil... ou eu claramente não estaria escrevendo isso agora, aqui, na esperança de que venha para reler o texto sobre você e descubra que eu resolvi dedicar a mim mesma o carinho, consideração e respeito que esperei - em vão - de você. 

Assim, deixo aqui a mensagem que ensaiei acreditando que ia questionar a mensagem deletada:

"Eu gosto de você, e isso é inegável. Mas eu gosto ainda mais de mim — e sei que mereço estar com alguém que queira estar comigo com presença, não só quando estamos juntos. Eu sinto algo bonito entre nós, mas fora desses momentos parece que, pra você, tanto faz. E isso me machuca. Eu não quero cobrar, nem pedir algo que deveria ser natural. Quero reciprocidade, e paz. Se isso for maior do que você pode ou quer oferecer agora, tudo bem. Mas então talvez seja hora de cada um seguir seu caminho."

Não haverá outra oportunidade pra que ela seja enviada - e só eu e minha amiga sabemos o tanto que eu precisava que você lesse isso em tempo hábil -, porque você nem ligou pro meu modo de espera... e eu sei que você também sabe disso. 

Enfim... acabaram os dias de glória de julho. Agosto tem fama de um mês de maus agouros e pressentimentos. Ou talvez seja mercúrio retrógrado. Só sei que foi mais uma escolha.

Por aqui faz frio; ao menos eu estou enrolada num cobertor. A noite parece vazia; ao menos pra mim que não fui procurar me aquecer nos braços de outra pessoa qualquer. 

Eu deveria ter respondido a mensagem às 09:30, quando eu a vi. Mas é que só faria sentido se fosse você. Se fossemos nós. 

E o bolo que você guardou pra mim foi amargo. 

Foi um não. 

E foi doloroso de ouvir.

 

 

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