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MI CASA... SU CASA...

"Toda noite de insônia / Eu penso em te escrever... // Escrever uma carta definitiva / Que não dê alternativa pra quem lê... // Te chamar de carta fora do baralho / Descartar, embaralhar você..."

sexta-feira, 26 de junho de 2020

Fibrilação

Eu disse que conto tudo sobre mim aqui. Não é verdade. Tem coisas sobre mim que eu compartilho com poucas e importantes pessoas, e tem coisas que compartilho com pessoas aleatórias, só por me sentir confortável no momento. Mas quando eu disse que meus amigos poderiam enumerar meus erros, era verdade - parcial.

Eu sei que, para quem não quer ser julgada, eu dou muitas chances. Eu me exponho muito, acho que na vertente louca do tal "dar a cara a tapa", mas às vezes não é a minha cara. Como na música - e agora sou eu quem vai citar sertanejo - "digo coisas que não faço, faço coisas que não digo". Eu criei uma personagem, porque não sei exatamente como expressar a mulher que me tornei, e muitas vezes ainda acho que não terminei de me tornar. Me sinto evoluindo ao mesmo tempo que me sinto parada e, ao mesmo tempo que reclamo por não verem quem eu sou por trás dessa fachada, eu me fecho.

Eu espero que me descubram sem que eu diga. Porque eu tenho medo de não ser alguém que valha a pena. Por meses a fio eu me perguntei se devia ou não mandar uma nova mensagem, porque todas as vezes que eu abria aquela conversa, eu me perguntava o que tinha a oferecer.

Ainda não sei, espero descobrir logo. Porque, sinceramente, se me perguntar o que eu gosto em você, eu também não sei. Mas é algo forte e eu não quero passar o resto da minha vida tentando ignorar, numa lista de intermináveis "quase". Porque eu "quase" tentei. Porque eu "quase" descobri. E porque isso "quase" fez toda a diferença na minha vida.

A gente pode estar perdendo tempo. A gente pode se tornar melhores amigos. Ou pode ser pra sempre e, logo eu que não me faço feliz todos os dias, posso te fazer feliz. E eu me culpo um pouco por ter tanta pressa pra chegar num lugar que ainda nem sei qual é. Mas é irônico que você tenha dito - em um contexto completamente diferente - que eu tenho potencial. Essa é a palavra que uso para descrever o que vejo em nós.

Um potencial imenso de ser algo ótimo - e essa impressão ainda é a que eu tenho agora. A outra sensação é medo. Um medo quase do mesmo tamanho, porque eu tenho uma tendência infeliz de me auto sabotar, de criar obstáculos onde não existem e de antecipar "nãos". Como se eu estivesse errada em continuar tentando diante de todos os fracassos anteriores. Mas, como Simba, eu tento rir na cara do perigo.

Eu gosto de você - e não queria usar essa palavra. Não queria deixar essa mistura de inocente com substancial, mas é exatamente essa mistura que parece sacudir nas minhas entranhas quando eu penso se vou ou se fico, se mando uma nova mensagem ou se ouço os conselhos da minha amiga - é que não mandar parece desistir, como se a primeira impressão da realidade não me interessasse.

Estou escrevendo porque interessa. Muito mais do que eu gostaria de estar registrando aqui para a posteridade, porque eu nem sei se você estará aqui na posteridade. Mas eu te disse que era uma pessoa ansiosa, e essa era uma verdade total.

Estou escrevendo porque vale a pena. Porque assumo os riscos. Porque estou aqui para o que for bom, e para o que nem tanto.

Escrevo porque o que sabemos é uma gota e o que ignoramos é um oceano, e eu não tenho medo de me afogar.

Tenho medo das coisas rasas.

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