Em tempos de isolamento social, eu tenho receio de me isolar ainda mais dentro de mim mesma. Na contracorrente, tenho sentido uma necessidade crescente de escrever. Eu já não leio - não consigo entrar na história -, então talvez eu precise esvaziar a mente. Minha história que parece parada está com pressa de continuar.
De súbito, nem sei se resta algo a ser dito. O que não escrevi, ficou nas entrelinhas e é irônico que eu espere um julgamento. Eu espero ansiosa e urgente por alguém que veja algo que eu não fui capaz, porque eu quero ver todos os lados do que estou vivendo, como se cada uma das seis personalidades intrínsecas no meu "eu" tentasse se sobressair. Eu quero essa vida online na realidade, seu sorriso em 3D e a voz por trás das palavras que fluem constante e naturalmente.
Quero a novidade dessa experiência repetida. Esse imenso déjà vu, e esse turbilhão de emoções. Entender essa montanha-russa de sentimentos, os dias felizes e os melancólicos alternados, e o escuro se traduzindo em luz. Estou com pressa de encontrar sua calma, de me equilibrar na corda bamba do meu próprio coração. E se isso tudo for um jogo, eu peço azar.
Na primeira vez, não achei que haveria uma segunda. Na segunda, logo eu que não tenho religião, rezo por não precisar de uma terceira. Faço as contas pra esquecer os números, escrevo o que não se resume em letras. Sua normalidade me enlouquece, e mais parece uma forma de expressar a minha concentração - é tudo sobre você.
Então eu peço ao tempo que me dê mais tempo pra eternizar, embora eu não saiba exatamente o que. Um sentimento crescente em mim, um interesse ou atenção vindo de você. As conversas que correm por si mesmas, sem a necessidade de um empurrão. Só peço o primeiro "oi", tão mais complicado que todas as outras frases que saem desenhando seu próprio contexto. Eu não consigo ensaiar nossos diálogos.
Nos últimos dias eu vi mais de você do que em meses antes disso, e aprender que você não é só o que aparenta ser requer dedicação. Requer cuidado e querer. A gente precisa estar disposto e, novamente, disposição não é algo que tem crescido neste isolamento. Às vezes a vontade é de desconectar de tudo e sumir por um dia ou dois. Dormir um sono que eu não durmo há anos e acordar em outra realidade. É me esconder de mim, ao contrário daquela música que me inspira a anos a ser mais "caçadora de mim".
Mas estou te procurando. Há muito tempo. Presa a canções, entregue a paixões. Correndo. Como uma daquelas mulheres que correm com lobos. Estou te procurando dentro da mulher que eu sou. Porque eu também sou muito mais do que você sabe. E estou tentando não me perder nessa busca.
Mas esse é só mais um dia, e seu discorrer ainda não está claro. E tudo bem. Nós não temos que ser iguais, porque há muito mais beleza nas nossas diferenças. No complemento teórico de duas partes que já são inteiras. Porque toda eu deseja todo você. Porque, como no poema mais clichê, é você. Porque sou eu. E, se me perguntar, eu ainda não vou saber responder.
Essa jornada não é sobre respostas. É sobre perguntas. E eu volto a te convidar.

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