Read around the world / Lea todo el mundo...

MI CASA... SU CASA...

"Toda noite de insônia / Eu penso em te escrever... // Escrever uma carta definitiva / Que não dê alternativa pra quem lê... // Te chamar de carta fora do baralho / Descartar, embaralhar você..."

sábado, 13 de setembro de 2025

Amidala

Hoje pela manhã, lendo os textos que eu quase converti - com muita vergonha e pouco ódio - em rascunhos, uma amiga me disse que eu deveria escrever um livro. Mas quem se interessaria nas histórias de uma adulta que se apaixona como uma adolescente por alguém que age como um? 

E ela também disse, enquanto eu arrancava (à força, e muito a contragosto) essa página da minha vida, que era dolorosa a perda de uma história. Mas uma história não deveria ser escrita por mais de uma pessoa? Se eu senti e vivi tudo isso sozinha, foi só estória. Foi ficção, fantasia. Mas machucou como se fosse real. 

É que se, por um lado, foi reconfortante descobrir que eu ainda sabia sentir amor por alguém; por outro, foi cortante perceber que isso me deixava novamente sujeita às desilusões. E essa me fez voar antes de eu perceber que - durante todo esse tempo - isso tudo era só "cair com estilo".

Se isso é enredo de livro, deve ser algo na qualidade duvidosa do autor medíocre que você gosta e que teve sorte de ter os contatos certos. Irônico, já que você provavelmente leria sem se dar conta de que todo esse amontoado de sentimentos num pedestal era sobre você. 

É que eu te elevei demais e me deixei ser rebaixada no processo. Se, como na mesma conversa com a mesma amiga, nós falamos de como os homens rebaixam as mulheres para se sentirem superiores; agora eu vejo - mais assumidamente - como nós, mulheres, rebaixamos a nós mesmas para que vocês pareçam valer a pena. 

Estamos em 2025, e a mulher heterossexual está no mapa da fome.

Parabéns por não feder e saber que verbos no infinitivo terminam com "r". Foi o suficiente pra eu me apaixonar. Eu não precisei de nenhuma iniciativa, nenhuma demonstração de interesse ou mesmo simpatia. Simplesmente você me tratar como gente bastou.

Em 2015 eu me apaixonei pelo cara que ficava duas horas depois da aula - toda terça-feira à noite - esperando a minha van comigo, só para eu não ficar sozinha numa UFMG deserta e escura. Em 2018, foi pelo cara que enfrentou a pior chuva da vida dele para me encontrar e que largou a festa de aniversário da própria mãe porque eu precisava dele no pior momento da minha vida. Em 2021 eu criei um lar com o cara que me ensinou que homens redefinem as prioridades se quiserem que uma mulher esteja nelas. E agora eu construí um altar prum cara que me responde de vez em quando, nunca me procura, mas me chama pelo apelido genérico do meu nome. 

Eu quase escrevi um livro para alguém que me trata como nota de rodapé. 

E sobre aquela outra amiga, que você - por iniciativa própria - solicitou amizade nas redes sociais e que jamais trocaria o "varão valoroso" dela por um "mini craque", eu a amo de todo o coração. Eu e ela temos diferenças, mas nenhuma delas é relativa a respeito e lealdade. Então o seu interesse por ela - seja romântico ou não - não me afeta, pois ela é realmente interessante e minha prioridade em relação a você. Mas ele me mostrou que eu também sou minha prioridade em relação a você. 

Também como disse a primeira amiga... "ele sabe onde você está". Verdade, mas você não liga né?! E talvez preferisse nem saber. Mas se eu estiver enganada, me procura. Ou só aparece na minha sala... não é como se eu estivesse me escondendo. Do trabalho ou de casa. 

Mas dessa vez o nosso filme não vai ser "a culpa é das estrelas". Senta comigo pra assistir "Star Wars". Porque a padawan aprendeu sua última lição. 

E a Jedi tem algumas coisas a te ensinar.

sexta-feira, 12 de setembro de 2025

Sempre o padawan, nunca o jedi

Se eu prestasse atenção em metade do que você me diz, eu desistiria. Eu não passaria metade do tempo pensando, não perguntaria a um deck de 78 cartas e, certamente, não voltaria a escrever aqui com a frequência que eu escrevia na adolescência ou quando eu tinha a sua idade. 

É que, se eu prestasse atenção na sua idade, eu voltaria atrás no coração acelerado, pediria que as lágrimas vertidas sem que eu me desse conta voltassem aos olhos, e colocaria um pouco de razão nesse excesso jovem de emoções. 

Me lembraria das coisas meio duvidosas que estou aprendendo sobre sua rotina e o que faz nas horas vagas, ao menos tanto quanto eu me lembro que nas outras fotos tem você abraçando a sua vó - ao menos para equilibrar.

Se eu focasse nas dicas que as redes sociais me deram, através de curtidas e comentários, talvez eu não estivesse aqui com urgência para que os nossos mundos coexistissem.

É que a gente gosta das mesmas séries, mas não dos mesmos personagens. E, a despeito de sermos da mesma casa em Hogwarts, eu tenho certeza de que cada um de nós prefere um Dumbledore diferente, e também não aprendemos as mesmas lições. 

Você gosta de Marshall e Lily, enquanto eu entendo porque o Ted correu tanto atrás da Robin. E, quando você disse que "não dá pra se entregar fácil assim", eu já estava entregue. Porque eu até omiti, mas a verdade é que eu sempre me defini como uma mistura emocionada e intensa do Ted com o Michael Scott - de outra série que a gente gosta em comum, mas que você largou pela metade. 

E a gente gosta das mesmas bandas, mas as vivemos em épocas diferentes - o que nos impede de nos encontrarmos num show, porque eu estava muito pronta para te dedicar todo um "relicário" em "n" (bem como, de fato, eu te dediquei "os cegos do castelo"); enquanto você estava bebendo e dando aquele "sorriso maroto" que minha amiga viu nas suas fotos e disse que não dava pra defender. 

E eu defendi, ainda imersa naquela foto das coxas (que só hoje eu percebi a pessoa deitada atrás).

Se eu prestasse atenção nas coisas além de você, eu provavelmente teria encontrado um motivo para nunca mais focar em você em um hospital daquele tamanho. 

Mas quando eu reparei no seu sorriso, eu já estava apaixonada. E, quando eu tive coragem de assumir isso em voz alta, todo mundo já tinha percebido ao redor. E, quando eu notei o tanto que a gente era diferente - e você era diferente da minha impressão sobre você -, eu simplesmente já não ligava. 

Eu já teria roubado uma trompa azul por você.

...

E eu queria dizer que desisto. Mas eu espero. E ensaio um diálogo revelador sob a chuva, dividindo um guarda-chuva amarelo ou outras tantas verdades que são nossas - provavelmente em épocas diferentes da vida. 

Estou pronta para tudo que não sei de você. Para uma mistura entre Marshall e Dwight. Para a imensidão que você for. 

Você é o banquete completo.

quinta-feira, 11 de setembro de 2025

Chama

Esse texto nunca será um rascunho, mas o seu outro texto está ali, guardadinho como um surto coletivo. Ou só coletivo, porque compartilhei com você... e sei que não foi surto nenhum. 

Eu sigo não me arrependendo de absolutamente nada do que eu disse ou senti. E sigo reafirmando que minha alma reconheceu a sua antes das primeiras palavras trocadas. E, desde que você reapareceu, foram muitas né?!

É que agora você me chama por apelido, eu sei algumas coisas novas sobre você - que você compartilhou por livre e espontânea vontade, importante ressaltar -, e eu sorrio como boba depois de cada interação. 

Você gosta do livro que eu mais detesto, e eu sei que assistiria o filme se você quisesse. E faria do "ok" o nosso "para sempre", pagando língua de todas as vezes que eu falei do tanto que isso era cafona, chato e clichê. E ouviria Sam Smith com você sem prestar atenção nas letras... é que até hoje ele só me lembrou de amores que me fizeram chorar.

É que eu acredito em tarô e ele acredita em você. E me fala pra acalmar, diminuir o ritmo. As cartas me dizem coisas que a tecnologia não diria, e me lembram que nem todo fogo é eterno... mas que todos eles queimam.

E agora você não usa só preto, eu vejo sorrisos mais frequentemente e outro dia você acenou quando me viu - e talvez nem tenha percebido o quanto deixou essa mulher expansiva completamente sem reação.

Então eu permaneço. Imóvel, sem saber nem por onde começar. E na espera. De um não, um sim, ou de um mero talvez. Do momento em que o diabo, o hierofante e os enamorados se encontram e fazem sentido.

Porque você faz. Desde que a gente se esbarrou pela primeira vez em dezembro. E como eu espero que faça dezembro que vem. 

Então... para todos os efeitos, eu sigo aquele lema (mas, desta vez, sem trocadilhos)...

"Draco dormiens nunquam titillandus"