Read around the world / Lea todo el mundo...

MI CASA... SU CASA...

"Toda noite de insônia / Eu penso em te escrever... // Escrever uma carta definitiva / Que não dê alternativa pra quem lê... // Te chamar de carta fora do baralho / Descartar, embaralhar você..."

quinta-feira, 31 de julho de 2025

Trinta e dois

Eu provavelmente seria mais inteligente se te mandasse uma simples mensagem privada no whatsapp, daquelas semi-prontas em que a gente basicamente deseja um feliz aniversário cheio de saúde, amor e felicidade.

Mas é que eu acho que até você já entendeu que eu não consigo ser pouco ou ser contida, e que você é mais importante pra mim do que uma frase clichê. Eu não posso te desejar felicidades sem fazer alguma analogia a algum fenômeno da natureza, nem te desejar amor sem me desejar na sua história.

É que você apareceu há muito pouco tempo e já desregulou todos os meus relógios. Já bagunçou meus calendários, e já ganhou uma aba exclusiva sobre você nas minhas conversas com o chat GPT. Já virou uma carta da corte no meu tarô e fez a carta do "diabo" ser bem mais recorrente do que a dos "enamorados". 

Me fez sorrir com uma música do Belo e fazer careta com uma do João Gomes (que sigo ouvindo no repeat, porque sigo gostando... embora discordando). E me fez escrever na noite anterior - devido a minha total incapacidade de virar essa madrugada -, de modo a tentar te enviar isso antes de começarem as felicitações. Eu queria ser a primeira. 

E, em igual intensidade, queria ser a última. 

É que eu tinha certeza de que nosso reencontro viraria uma chave em mim, de leveza e despreocupação. Que as expectativas seriam quebradas e as vozes na minha cabeça seriam silenciadas. E eu estava no caminho certo... eu realmente vivi como se você não fosse voltar. 

Mas você voltou e fez sentido. Sorriu pra mim como se nunca tivesse ido embora e me beijou como se nunca mais fosse. E nossos corpos funcionaram muito bem juntos (coisa que eu não vou aprofundar, porque é muito cruel lembrar disso sozinha).

Naquela noite, eu me senti a única. 

Então achei justo te dedicar algo que o fizesse se sentir único também. Te dedico a chuva que te molhou como o nosso banho, como quem deseja que suas dores sejam lavadas. Te dedico um abraço como quem te aceita e acolhe. Te dedico o calor - que você bem prefere - como quem te aquece de dentro pra fora. E me dedico como quem espera comemorar essa data com você no ano que vem. 

Te desejo a felicidade de quem recebe um áudio da sobrinha dizendo que está com saudades, e o amor de quem mata essa saudade. E a esperança de que também sinta falta de mim em algum momento. 

Te desejo que o novo ciclo seja grandioso. Emocionante. E emocional, porque seria um prazer compartilhar a jornada contigo. De vez em quando, me escolhe. Se for "de vez em sempre", melhor... é que tô me sentindo como quem compete no "Jeb" por um pouco mais de atenção. E porque tô a muitos poucos passos de comprar uma bíblia de "varão valoroso adolescente" pra encontrar o versículo exato que me diga o meu limite. Eu claramente não pareço ter nenhum. 

Enfim... Era mais seguro ficar com uma mensagem privada e semi-pronta. E tudo bem se você fingir que tudo isso foi uma transparência escandalosamente visível, igual o último texto que eu escrevi; ainda sobre os efeitos hormonais do nosso reencontro (de corpos, porque minha alma não se perdeu da sua). Sendo assim...

"Feliz aniversário, leão leonino. Que seu dia seja mais um dia de glória de julho, e que - mesmo que entremos agora em agosto - os próximos dias também sejam especiais. Te desejo saúde pra dançar na chuva comigo, felicidade pra eu aprender sob diferentes perspectivas as nuances do seu sorriso, e amor pra compartilhar."

Me deixa te felicitar de novo no ano que vem. De perto. 

Como quem fez morada. 🕯️ 

domingo, 27 de julho de 2025

Leão

Hoje eu estou pronta para falar sobre e para vocês dois. Falar sobre quem eu chamei de "original" e sobre quem eu me referi - num momento de ego ferido - como "versão da shopee". E, mais do que isso, falar que eu estava enganada.

Ao primeiro leonino - de nascimento e cronologia -, primeiro eu tenho que me desculpar. Tudo que eu senti sempre foi real; talvez tenha sido real até demais. Mas nesse mês de julho, diante da promessa cega de que voltaria, eu te escrevi uma carta para te convencer. Só que, no processo, me convenci de que estava errada. Você fez sua escolha, e arcar com as consequências dela também faz parte do aprendizado. Você fez sua cama e realmente está na hora de se deitar nela. Eu não vou ser quem vai te resgatar agora. 

Ao leão, eu tento me doar. Mais do que um signo, um símbolo ou uma promessa. Mais do que uma idealização. Quero me doar com meus defeitos e imperfeições. Quero a entrega justa e compartilhada. O que eu sinto também é real, não apenas uma nova versão de um velho sentimento. É por você, para você e com você. 

Numa conversa com uma amiga (verbalizada, mas sobre algo que eu já tinha aqui dentro), eu percebi que - pela primeira vez desde aquele dezembro - eu não largaria tudo para voltar atrás. E, diante da carta já rascunhada, eu percebi que não queria mais gastar páginas por um amor que nunca retornou. Percebi que queria me dar a chance de escrever uma nova história. 

E percebi que sigo não te querendo "sete". Eu te quero "treze", como o meu número favorito e com a certeza de que nada no meu desejo vai diminuir mesmo diante de uma margem de erro de três pontos para cima ou para baixo. Eu te quero completamente. E só você. 

Quero o olhar que parece que me lê e o sorriso de quem entendeu tudo. O abraço que se fez lar e que me acolheu vulnerável. O calor e as palavras que agora parecem vir mais facilmente. E, sobretudo, quero a segurança que estou sentindo nesse domingo. 

"Remédio para ansiedade não é calma. É segurança."

E eu estou bem agora. Com outro leonino, mas de outro mês, de outro ano, e de outros sonhos. Esperando pela oportunidade de compartilhamos um ou dois ou todos eles. Estou bem, um dia de cada vez, como quem se faz porto. Como quem escancara as portas do próprio coração e se faz portal. Como quem pede para o outro se perder e se encontrar em mim.

Ao leonino de agosto, eu realmente desejo um feliz aniversário. Que seu último ano dos "-inta" seja formidável. 

Ao leão de julho, eu realmente desejo minha companhia na jornada. E a gente não conta pra ninguém que Harry Potter não é mais o meu único favorito de 31/07. Eu te agradeço pelo retorno... a gente pode pegar o caminho certo agora.

Eu ainda não sei se você voltou pra ficar mas - pelo sim e pelo não - me deixa te dedicar uma música que eu consigo me imaginar ouvindo no seu carro:

"Fica, eu sei que a gente tá se conhecendo ainda 

Mas vai que nesse fica, a gente fica

Vinga e vira amor pra vida"

🦁

segunda-feira, 7 de julho de 2025

O hierofante

Hoje eu me peguei sorrindo ao atravessar a rua e dançando no caminho de volta pra casa. E eu entendi como nunca antes o que foi dito em "O Pequeno Príncipe" com: 

"Se tu vens, por exemplo, às quatro da tarde, desde as três eu começarei a ser feliz."

É que um passarinho verde me contou que o relógio voltou a girar e o nosso reencontro vai acontecer. E, diante dessa certeza, eu posso esperar uma vida inteira. 

Então eu só quero te atualizar, pra você vir sabendo que eu sou uma pessoa bem diferente agora e que estou ansiosa para conhecer cada mudança que o mundo te trouxe.

Meu nome ainda é Mariana, mas eu sou muito mais chamada de "mãe". Você poderá me chamar do que quiser, mas vou me derreter se voltar a me chamar de "dalit" e - nos momentos mais oportunos - escapar um "Charizard". Seu nome também permanece o mesmo, mas eu quero poder enfim te chamar de "meu". Meu amor, meu parceiro, meu melhor amigo, meu confidente. Meu ponto de chegada. Meu último. Meu único.

Vem, que aqui ainda é o seu lugar. Vem, que eu aprendi a gostar de Star Wars, Game of Thrones e Planeta dos Macacos. Vem, que apesar de você preferir os Stark - como basicamente todo mundo - eu vou te chamar de Targaryen. Vem, e ri de mim e comigo. 

Eu te procurei por aí em outras pessoas e recentemente encontrei uma versão até bem próxima. Ele tinha a sua voz (então eu fiz ele falar ao pé do meu ouvido), o seu cheiro (cheiro de gente que parece casa), o seu signo (sem o seu significado), o seu temperamento (sem a sua profundidade), e até o seu nariz peculiar (mas sem a ponta perfeitamente beijavel). Ele parecia você, mas não era. E de longe eu quase me enganei. 

Mas de perto ele não tinha o seu olhar. Não tinha a boca que se encaixava perfeitamente na minha e nem os braços que me acolheram no frio e me fizeram ferver nas madrugadas de calor. Ele não tinha o prazer do seu sexo e eu não tinha o "eu te amo" entalado na garganta.

E eu nunca consegui dormir encaixada em mais ninguém além de você. Meu sono era seu. Meu corpo era seu. Minha alma e confiança também. E você era o meu sonho. 

É que ninguém mais perguntou se poderia me dar um primeiro beijo na livraria depois de eu falar sobre "A Menina que Roubava Livros" e gravou eternamente em mim a passagem mais bonita e sutil dessa história (a do livro e a minha):

"How about a kiss, Saumensch?"

É que ninguém mais me olhou como se também estivesse me lendo e, sinceramente, eu não quis ler mais ninguém também. 

E hoje eu tenho 33 anos; um a mais do que você tinha quando a gente se conheceu. Tenho mais experiência e autoconhecimento. Realizei o sonho que só estive aberta a deixar de lado por você... e eu queria muito que você o conhecesse, porque você realmente é legal perto de crianças. E porque eu já desejei ao menos uma dúzia de vezes que ele fosse seu. Mas eu me fio na fala que ouvi muitas vezes da minha mãe e que acabei adaptando... "Estava na minha história, mas não na sua." 

O que é bem irônico, já que ele provavelmente não existiria se, naquele junho, você não tivesse pedido pra eu seguir a minha vida sem você. Então eu farei um breve contexto cronológico. Em 13/08/86, a minha vida foi sentenciada. Em 05/06/92, eu nasci. O amor nasceu em 22/12/18, e eu morri pela primeira vez em 16/02/19. Você me curou em 03/03/19 e me deixou sozinha no escuro na única data que eu preferi esquecer. Eu renasci em 13/03/23 e me salvei em 08/02/25. Abri a porta em 06/07/25 e estou esperando todas as datas que eu ainda vou me perder e me encontrar. 

Segui minha vida e você seguiu a sua. Bonito, não?! Vou esperar até quando estiver pronto para seguirmos a nossa. Minha história começou antes de mim e eu sei que vai seguir depois. Porque eu sou feita de passados assim como de futuros.

E o nosso presente ainda somos nós. Um par ligado através de uma linha invisível e indissolúvel. Estamos enlaçados, mas somos nós.

Impossíveis de desatar.

De desamar.

E...

"Se tudo passa, talvez você passe por aqui."

 Somos parceiros de um crime perfeito.

terça-feira, 1 de julho de 2025

Treze

Ontem a minha amiga disse uma frase que ficou martelando na minha cabeça: "existem algumas sensações que são impossíveis de você sentir com qualquer pessoa". Ficou na minha cabeça sobretudo porque, depois de sair de um relacionamento de 4 anos ouvindo um "você não é capaz de amar ninguém", e de ter rebatido - quase sem nem pensar - com "eu só não sou capaz de amar você", essa questão de sentir sem escolher me ficou muito óbvia. Eu escolhi estar com alguém por quem eu não sentia muito. E tenho o histórico de querer muito quem não me escolhe de volta.

A sensação que ela encontrou em apenas duas pessoas foi a saudade antes mesmo da despedida. A minha sensação, até então única para também duas pessoas, foi a necessidade de escrever o tempo todo - não para mostrar para ninguém, ou provar algo para alguém, mas para guardar para mim... para quando eu precisasse lembrar (como se em algum momento eu fosse esquecer) da sensação de ter encontrado essa pessoa na minha vida. A necessidade de escrever quando os sentimentos eram intensos / imensos demais para falar para alguém; porque falar é barulhento e assusta, mas escrever é silencioso.

Mas, para quem não conhece a minha relação desde a infância com as palavras, é difícil entender que - para mim - o silêncio é ensurdecedor.

Eu falo porque ninguém adivinha (e ainda bem que não, ou seriam feitas muitas suposições incorretas) e porque eu sempre guio pela ideia de que eu me recuso a me arrepender pelo que o medo me impediu de fazer. Foram anos escondida atrás dele, e hoje eu prefiro os vinte segundos de uma coragem insana. 

Acho que eu só serei imensa para quem for muito limitado, ou muito profunda para os mais rasos. E tenho esperanças de ainda encontrar o espaço que me caiba e a pessoa que me transborde.

Eu não te amo e não preciso de você. Mas eu amei a sensação de poder tocar em qualquer assunto e de me perder na conversa. Suas palavras me abraçaram antes do nosso primeiro abraço "tradicional". E é por isso que volto a te escrever, mesmo sem saber se lerá... preciso te falar o que combinei em não te enviar por mensagem.

É que, quando eu digo que sinto todo um oceano, não digo que o meu sentimento diante de um novo começo seja tão profundo individualmente. É que eu sinto uma soma. Eu sinto, agora, a imensidão de tudo que eu já senti antes... quase como uma promessa (apesar de você achar que elas são mentiras) do tanto que eu tenho pra te oferecer. Do tanto que eu posso doar sem me perder.

Te falei sobre a minha conversa favorita dos inícios: o tal "alinhamento de expectativas". E, naquela primeira conversa - quando me perguntou se eu estava buscando algo sério e eu disse que saberia quando encontrasse -, eu acabei omitindo um detalhe (talvez por um desejo inconsciente de me adequar) relativamente interessante... o de que eu saberia no primeiro dia. Desde então estou tentando te mostrar o que eu posso ofertar, e entender o que eu posso aceitar de volta.

Eu não sei se você já parou pra pensar nisso (não necessariamente comigo), mas acho que sua linguagem é tempo de qualidade - e que qualidade! Nunca foi uma das minhas linguagens principais e, ainda assim, eu saí encantada. Acarinhada. E eu, com minhas palavras de afirmação e toque físico, só não quero cair no erro de nos perder por não compreendemos a linguagem do outro.

Talvez até já tenhamos feito isso. A minha principal não está tanto entre as suas (ou talvez eu tenha errado imensamente em interpreta-lo), e a falta das suas palavras me deixou incrivelmente insegura.

'Tô tentando me regular com as minhas próprias. Buscando segurança no porto que encontrei em mim. Depois de anos falando de desaguar em alguém, percebi que - na tempestade - era muito mais válido fazer de mim meu cais.

Assim, fico aqui. Sem esperar, também conforme o combinado. Só sentada com os pés na água e vendo o movimento sutil do meu oceano. Mas, se quiser voltar, é seguro. 

Até para se afogar.