11 de abril de 2026, 00:50. O momento que eu vi os proclamas de casamento daquele que eu acreditava ser "o amor da minha vida", e fiquei feliz porque não era eu. Porque não era a minha vida, e porque não era a minha história presa à história dele. Quando eu me dei conta de que ele ainda era o mesmo homem por quem eu me apaixonei em 22 de dezembro de 2018; mas que seria uma ofensa a mim mesma fingir que eu ainda sou a mesma mulher.
Não vou fingir que minha súbita reação de autoconsciência foi imediata, porque inicialmente o meu corpo se tomou de uma descarga muito grande de adrenalina, naquele impulso de ficar ou correr... e eu fiquei um tempo considerável no banheiro, passando mal... é que meu corpo precisou expurgar o que a alma já sabia, literal e figurativamente.
Não é que a minha vida seja perfeita (na verdade, está bem longe disso), mas é que - ao lado dele - ela teria sido bem menor e bem mais limitada, e eu não merecia minar minha própria vida tentando me encaixar no pouco que ele é.
A verdade é que, se naquela tarde ele não tivesse ido embora e me deixado sozinha chorando na sala, eu teria chorado sozinha por muitas outras tardes, até eu mesma optar por ir embora. Porque eu tentei sair mais de uma vez (inclusive naquela frase que nos marcou até o final: "eu não quero ser a mulher sem nome nem rosto com quem você dorme todos os finais de semana") e ele sempre me puxou de volta - aliás, nem sempre, já que no fim foi ele quem saiu - e, aí, a errada fui eu em tentar puxar. É que ele estava certo, afinal, e eu não era tão feliz assim ao lado dele... é que eu queria muito que isso desse certo.
Mas eu sempre culpei o contexto e, em partes, faz sentido. É que tudo ao meu redor estava tão ruim, que eu me apeguei à parte que era boa e tentei fazer durar pra sempre. E ele só tentou fazer o que era esperado que ele fizesse.
E eu jamais poderia ter sido feliz ao lado de alguém que reage e disfarça como se tivesse agido. E, daqui, olhando de fora, a sua história é uma soma das escolhas das outras pessoas. Porque, mesmo no auge da minha baixa autoestima, carência e um bocado de tristeza; eu sempre soube o que eu queria, eu sabia como pedir, mas eu queria que me fosse ofertado. Mas ele nunca teve muito a me oferecer e, todas as vezes que ele fez algo que parecia certo, foi só porque "parecia certo".
As nossas motivações sempre foram muito diferentes: eu passional e imediatista, e ele sempre preocupado em fazer o que acreditava que esperavam dele. Então hoje, vendo a vida que se desenrolou, eu sou muito grata por aquele negativo pós dia das mães: eu teria me enganado achando que era amor, e teria escrito o meu nome junto ao seu no proclama errado. Fico aliviada que seja o nome dela: parece ideal.
Uma pessoa que me machucou tanto e me fez chorar tantas vezes não poderia mesmo ser o "amor da minha vida". E um homem que fez com que minhas primas desenvolvessem ranço e antipatia antes mesmo de conhecê-lo pessoalmente, simplesmente pelas coisas que eu - completamente apaixonada - falava dele, não poderia mesmo ser o homem da minha vida.
Então, no final das contas...
... eu precisei chegar aqui, para perceber que...
... eu sabia desde o início.

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